O Bom e Sagrado Caminho Vermelho

Em nossa caminhada, levando a cura através da medicina da Arte Xamânica a muitos irmãos e irmãs, recebemos inúmeras bênçãos, sejam por palavras, gestos, sorrisos, alegrias, descobertas e a amizade que vamos fortalecendo com cada um que vem compartilhar conosco esta sagrada medicina.

Assim, através da beleza da entrega e do amor incondicional, o Grande Espírito coloca em nosso caminho as bênçãos de receber e compartilhar informações verdadeiras e embasadas no profundo conhecimento das culturas ancestrais espalhadas pelo mundo e pelo tempo, que compartilhamos com todos aqui neste espaço sagrado, por saber que o "Tempo das Nuvens Negras" chegou ao fim e a luz da informação e do conhecimento nativo verdadeiro deve ser transmitido com urgência a todos os buscadores da luz.

Como diz Hotashugmanitu Tanka: "estamos aqui para semear e compartilhar, fazendo brilhar a Roda do Arco Íris neste início do Tempo do Búfalo Branco, trazendo a consciência da totalidade, a paz e a serenidade para os irmãos de todas as cores".

Que assim seja!

Marcelo Caiuã e Bianca Martins


Rompendo limites e expandindo as dimensões da realidade com o Golfinho



O Golfinho nos fala do sopro vital da vida, a única coisa da qual nós só podemos prescindir por alguns minutos. Nós podemos viver vários dias sem comida ou mesmo sem água, mas o oxigênio é a base indispensável de nossa subsistência. Assim, se mudarmos o padrão e o ritmo de nossa respiração, seremos capazes de nos comunicar com qualquer outra forma de vida. Esta mudança de ritmo também nos permite entrar em contato com nossos próprios ritmos pessoais internos, bem como com a energia emanada do Grande Espírito.

O Golfinho é o guardião do sopro sagrado da vida que nos ensina a modular nossas emoções pelo ritmo de sua respiração. O Golfinho cria seu próprio ritmo vital ao nadar em meio às ondas, emergindo a intervalos regulares para respirar e submergindo novamente, mantendo o fôlego enquanto permanece sob a água. Quando o Golfinho emerge outra vez, expele o ar de forma vigorosa, como o repoucar da rolha de uma garrafa de Champagnhe. Nós também podemos empregar a mesma técnica para expelir nossas tensões e obter o relaxamento total antes de penetrarmos no silêncio para meditar.

O maná é a força vital, a essência do Grande Espírito, presente em cada átomo. O Golfinho nos ensina a usar a vida contida no maná por meio de nossa respiração, o que revitaliza cada célula de nosso corpo, rompendo os limites e expandindo as dimensões dos Sonhos.

Certa vez o Golfinho estava viajando pelos oceanos quando encontrou a Vovó Lua tecendo o padrão das marés. Vovó Lua aconselhou-o então a aprender os ritmos que ela havia concebido, para que o Golfinho pudesse abrir o lado feminino de sua personalidade para sua luz prateada. O Golfinho passou então a nadar no ritmo das marés da Vovó Lua, aprendendo assim a respirar de uma forma inteiramente diferente. À medida que o Golfinho continuou a usar este novo ritmo, ele foi capaz de penetrar na Dimensão dos Sonhos, percebendo então uma realidade inteiramente diferente naqueles mesmos mares que ele pensava conhecer tão bem.

O Golfinho descobriu realidades submersas na Dimensão dos Sonhos e foi agraciado com o dom de compreender e falar a língua primordial. Essa nova linguagem era a linguagem dos sons que a Aranha trouxe da Grande Nação das Estrelas. O Golfinho aprendeu que toda forma de comunicação tem um ritmo e um padrão bem definidos e esse novo aspecto da comunicação era o som, que o Golfinho passou a empregar desde então. O Golfinho retornou ao Oceano da Grande Mãe, onde ficou muito triste, até que a Baleia se acercou dele e lhe disse que ele poderia voltar para ser o mensageiro dos habitantes da Dimensão dos Sonhos todas as vezes em que ele sentisse o ritmo e usasse a respiração adequada. O Golfinho recebeu então uma nova tarefa, a de ser o mensageiro de nossos progressos. Isto porque os habitantes da Dimensão dos Sonhos estavam curiosos acerca da vida dos Filhos da Terra, desejando que evoluíssemos para ficarmos em consonância com o Grande Espírito.

Quando o Golfinho aparece para você em seus sonhos ou em seus pensamentos, é sinal de que você está predestinado a ser o elemento de ligação capaz de oferecer alguma solução para os problemas dos Filhos da Terra. Pode ser um período no qual você estará mais sintonizado com os ritmos da natureza e em maior conexão com o Grande Espírito, trazendo respostas tanto para as suas indagações quanto para as dos demais. Ele nos adverte para a necessidade de prestar mais atenção aos ritmos do nosso corpo e aos padrões de energia que nos são enviados pelo Criador. Faça como o Golfinho e cavalgue as ondas do riso, espalhando alegria pelo mundo. Respire e usufrua do maná que lhe é tão generosamente ofertado. Destrua toda e qualquer barreira que o esteja impedindo de entrar em contato com a Dimensão dos Sonhos ou com a Grande Nação das Estrelas. Lembre-se de que somos apenas um aos olhos do Eterno.

Ou pode ser que você está esquecendo de respirar corretamente. Você pode estar estressado e seu corpo necessitando de maná. Pode ser que esteja exaurindo seu corpo e sua células, apesar de todos os suplementos vitamínicos que possa estar tomando, porque seus ciclos vitais estão totalmente fora de compasso. Preste muita atenção à sua saúde e aos seus sentimentos. Se você estiver no limite ou apenas tenso, tire um tempinho para respirar e relaxar, permitndo que a força vital penetre de novo em seus músculos. Tente esvaziar bem os pulmões, para retirar o ar viciado acumulado na parte inferior dos mesmos, e preencha então seus sistema respiratório com o maná regenerativo. Respire com o diafragma e encha totalmente seus pulmões; exale então a partir do peito para o ventre, deixando seu corpo relaxar inteiramente à medida que você expele o ar.

Outra mensagem do Golfinho é a de que seu sonar pode não estar captando os muitos sinais que nos são enviados pelas ondas e marés universais. Para ser capaz de detectar os padrões dessas ondas, você terá que se sincronizar outra vez com os ritmos naturais de seu corpo e usar a respiração do Golfinho para obter a conexão com a sabedoria e os sinais universais.

O Golfinho está sugerindo que você mergulhe bem fundo para brincar entre os recifes de coral e descobrir a beleza do ritmo respiratório.

Fonte: Canção da Meia-Noite (Jamie Sams)

Mini- O Espírito da Água



Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão

Água que faz inocente
Riacho de deságua
Na corrente do ribeirão

Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco do trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos

Água dos igarapés
Onde Iara Mãe d’Água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Tão tristes são lágrimas
Na inundação

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra


Terra Planeta Água...
(Planeta Água – Guilherme Arantes)


O Espírito da Água ocupa a Direção Oeste na Roda de Medicina. Símbolo da clareza, pureza e limpeza, é a fonte que cria e sustenta a vida, representada no útero pelo líquido aminiótico. Pelas suas características de fluidez, mutação constante, turbulência e tranqüilidade, a Água representa as emoções, os sentimos, os aspectos femininos da vida (fluência, criatividade e emotividade).

Como traz a vida, a Água é também purificadora e por isso está associada aos ritos de passagem, principalmente àqueles que trazem o significado da morte para que haja um novo nascimento: a própria morte é descrita como o “atravessar de águas” e muitos dos mitos antigos, nas mais diversas civilizações, trazem as águas dos dilúvios e inundações como portadoras da morte e/ou purificação.

A Água é utilizada nos rituais de cura, harmonização, abertura dos canais intuitivos e para melhorar a sintonia psíquica. Como elemento purificador possui seu próprio ritmo e movimento. Isso significa tempo e mudança: os oceanos e mares, mais velhos que a própria manifestação primitiva de vida, estão em constante mutação e, no entanto são os mesmos que o homem primitivo conheceu. As civilizações vêm e vão, e os mares estão aí presentes.

A Água tem ritmo e movimento próprios e por isto representa as emoções, os sentimentos, os aspectos femininos da vida (fluência, criatividade e emotividade). São os espíritos aquáticos que podem nos ensinar a trabalhar adequadamente com a força das nossas emoções. Por meio deles nos abrimos a cura e desenvolvemos nossa natureza psíquica.

Na magia, a força das águas é imensa. Este elemento é capaz de fazer com que o homem transcenda seus limites e alcance a sabedoria e a visão. Cruzar as águas significa uma profunda alteração de consciência (iniciação). Deixar-se atrair pelo canto maravilhoso dos elementais das águas é se entregar às profundas mudanças simbólicas que se processam no interior da mente e da consciência, é iniciar-se em reinos maravilhosos e desconhecidos.

Os humanos jamais serão os mesmos após estes encontros, e a sensação de morte ou perda de alma que descrevem e que, pela primeira vez vislumbram uma imagem verdadeira de suas almas (esta é apenas uma das tantas explicações psicológicas e espirituais que tetam descrever a natureza deste contato com os seres aquáticos e o próprio inconsciente e emoções humanas).

A mais conhecida das iniciações com água é o batismo. Nos tempos antigos este ritual era minuciosamente preparado para que, quando realizado, realmente desprendesse a teia etérica do corpo a fim de abrir a verdadeira visão espiritual. As forças transcedentais que operam no interior passavam a ser claramente percebidas pelo reino físico.

A Água possui vida própria. É um mundo fantástico povoado de criaturas e seres misteriosos. Entre todos os povos os mitos aquáticos estão presentes, e tribos norte-americanas falam de uma civilização oculta, conhecida como Tribo das Águas. O Espírito da Água, Mini, prima pela beleza e entre suas qualidades estão as formas suaves e femininas, sinuosas, doces, gentis e tão sedutoras que chegam a roubar a alma dos humanos, levando-as para o fundo dos rios e oceanos (entre as tribos brasileiras é muito comum o roubo de almas das crianças pelos espíritos dos rios). Adora flores e plantas, uma forma de atraí-lo é oferecer-lhe flores jogando-as em rios, lagos e mares. Ama a música e, quando se manifesta, sua voz é encantadora.

Os humanos se conectam com o espírito da Água em busca de encantamentos, presentes e tesouros mágicos de cura e proteção, além da saúde. Ele mostra ao homem como multiplicar a abundância dos seus recursos pessoais e materiais e a vencer medos e limitações. Banhos de sal e ervas, de essências, de mar ou cachoeiras, o uso da água da chuva são os rituais mais simples ligados ao espírito da Água. Algumas tradições representam a Água com espelhos ou superfícies polidas e brilhantes para encantamentos de amor, fertilidade e harmonização do campo emocional.

O Dr Masaru Emoto e as mensagens da Água para o seres humanos

Dr Masaru Emoto, um cientista japonês, apresentou em 1999 os resultados da experiência que fez fotografando cristais formados por moléculas de água congelada, exposta à diversas situações, como por exemplo: a alguns minutos de música clássica, à uma corrente de oração, à voz de Adolph Hitler, extraídas de um rio poluído, extraídas de uma nascente. As fotos das moléculas da água submetida à música suave ou às correntes de orações, eram lindas e harmônicas, enquanto as fotos da água submetidas à péssimas qualidades de energia, como por exemplo, a voz de Adolf Hitler, mostraram-se assustadoras. Já um simples “muito obrigado” mudou por completo a aparência da água.

Como 70% de nosso corpo é composto de água, o resultado final do trabalho leva à conclusão de que palavras e pensamentos ruins farão tão mal para nossa saúde quanto água poluída, assim como as palavras e pensamentos positivos serão para nosso corpo como a mais pura água da nascente.

Você também pode se beneficiar da cura pela água. 

Para tal, procure diariamente, de preferência em jejum, encher um copo com água e começar a projetar pensamentos e emoções muito construtivas para o corpo. O copo deve ser de água mineral e precisa ser segurado com a mão direita. Depois deve ser bebida de uma só vez. Você também pode dar essa água para alguma pessoa próxima que estiver com problemas de saúde. Temos registrados depoimentos de centenas de pessoas que tiveram grande benefício dessa prática. Com animais domésticos o resultado é ainda mais surpreendente.

Fonte: Durval e Victória Gramacho e Ian Mecler – Portal da Cabala

Os Quatro Clãs Elementais da Natureza



Clã da Tartaruga: O Elemento Terra – Estabilidade

As pessoas que pertencem a este Clã, são aquelas nascidas na Lua da Renovação da Terra (de 23/08 a 22/09), na Lua da Colheita (de 22/12 a 19/01) e na Lua da Volta dos Sapos (de 20/04 a 20/05)

Clã do Sapo: O Elemento Água - Transformação

As pessoas que pertecem a este Clã, são aquelas nascidas na Lua dos Grandes Ventos (de 19/02 a 20/03), na Lua da Luz Forte (21/06 a 22/07) e na Lua do Tempo Frio (de 24/10 a 21/11)

Clã da Borboleta: O Elemento Ar - Mudança

As pessoas que pertencem a este Clã, são aquelas nascidas na Lua do Repouso e da Purificação (de 20/01 a 18/02), na Lua do Plantio do Milho (de 21/05 a 20/06) e na Lua do Vôo dos Patos (de 23/09 a 23/10)

Clã do Pássaro Trovão: O Elemento Fogo - Purificação

As pessoas que pertencem a este Clã, são aquelas nascidas na Lua das Árvores em Botão (de 21/03 a 19/04), na Lua das Cerejas Maduras (de23/07 a 22/08) e na Lua da Neve (de 22/11 a 21/12).

Lua das Árvores em Botão - 21 de Março – 19 de Abril



As pessoas nascidas debaixo da primeira Lua de Wabun, o Guardião do Leste, recebem o temperamento e a energia do Falcão Vermelho como a sabedoria que Wabun lhes dá de presente. Também lhes ajuda a canalizar sua energia para encontrarem caminhos para sua evolução espiritual e das outras pessoas. A Lua das Árvores em Botão é a Lua do Equinócio da Primavera no hemisfério Norte. Esta é a Lua governa o crescimento das crianças da Mãe Terra, trazendo uma explosão de energia para aqueles que nascem durante o seu brilho. As pessoas que nascem sob esta influência têm um grande poder de adaptação e crescimento espiritual.

O Totem do Falcão Vermelho

Os Falcões Vermelhos são pássaros magníficos, em pleno vôo eles planam e circulam por períodos longos e às vezes torcem o rabo deles em diversos ângulos. Eles são grandes acrobatas, especialmente quando se acasalam. Eles podem tocar seu companheiro em pleno vôo, como se fosse um simples mergulho.

Estes pássaros são muito especiais para os Nativos Americanos. Os ameíndios Pueblo se referem a eles como águias vermelhas, eles usam a águia, para realizarem conexões com o céu e o sol. Suas penas eram frequentementes usadas em cerimônias para levar orações ao sol, para o Criador. As penas do Falcão Vermelho também eram usadas em algumas cerimônias de cura e para atrair a chuva. Para os Ojibwa e outros povos, os nascidos no Clã do Falcão Vermelho eram considerados líderes em seus clãs e recebiam o dom da adivinhação.

Pessoas nascidas durante a Lua das Árvores em Botão são frequentemente grandes pessoas espiritualmente e têm capacidade de controlar os ventos ao seu redor. Eles são caçadores, embora essas caçadas sejam por coisas novas para fazer, projetos novos para começar e filosofias novas para explorar. Estas pessoas têm luz e trevas dentro de si. Elas são joviais e abertas a tudo, mas podem preferir estar sós e contemplar o que está errado com o mundo.

Pessoas sob a energia do Falcão Vermelho tendem a ser destemidas. Elas têm pouca ou nenhuma paciência com as pessoas. Elas rasgarão a cabeça de qualquer um que vêem como inimigo. Quando bravas, seus comentários podem ser mortais. Para aqueles que amam e confiam nelas, eles os consideram como líderes que irá levá-los em suas asas durante sua jornada.

Durante seus vôos, elas podem ver claramente como as coisas deveriam estar ocorrendo na terra. Elas podem colocar as coisas no seu caminho normal, ou começar um projeto para corrigir um mal. Elas são muito otimistas. Elas pensam independentes de dogmas e filosofias, e falam o que querem. Porém, cansam depressa de algo que há pouco começaram a trabalhar. Elas precisam aprender a serem mais pacientes e estáveis.

As pessoas sob a energia deste Totem têm a habilidade para planarem bem alto no céu e comunicar-se com o Espírito do Criador. Elas podem esquecer desta habilidade quando passam muito tempo divagando o que precisa ser feito na terra. Elas têm que aprender a equilibrar seus dons.

Elas tornam-se líderes quando aprendem a canalizar sua energia, e trabalharem em algo que precisem de sua liderança. Podem ter sucesso em qualquer profissão que escolherem, se encontrarem seu equilíbrio, mas este processo é longo, duros e cheios de altos e baixos.

O Dente-de-Leão, é a planta Totem das pessoas nascidas sob a Lua das Árvores em Botão, e assim como o Dente-de-Leão, elas tendem a aparecer por todos os lados, voando de um projeto ao outro. São sinceras e falam sempre o que vem a sua mente quando acham que os outros não insinceros ou manipuladores.

E a Opala é o seu Totem mineral. Esta pedra considerada o símbolo da esperança, é usada para conectar-se com os poderes do Sol, da Lua e do Fogo, por causa do fogo que existe dentro dela. Pessoas sob a influência da Lua das Árvores em Botão gostam do sol e do calor, também gostam de estar vivendo situações ativas em que possam utilizar energia mental, física e emocional. Como a Opala, elas são porosas e podem ser manchadas facilmente se elas se associam com idéias ou pessoas erradas.

Assim como a Opala essas pessoas também podem sentir a centelha constante da energia do fogo. Devido a esta energia, elas têm o poder de controlar o Fogo. Elas têm uma conexão direta com o Sol e com o Fogo, porque elas pertecem ao Clã do Pássaro Trovão. Sua maior dificuldade é negociar suas conexões com a Lua e suas emoções.

Amarelo é sua cor. Esta é a cor do Sol e do Dente-de-Leão, e as ajuda a serem mais receptivas e a manterem suas amizades habituais, boa saúde e bem-estar. Estimula sua intensa inteligência ajudando-as a serem mais sábias. Sendo do Clã do Pássaro Trovão as características das pessoas nascidas sob a Lua das Árvores em Botão são: sua coragem, espontaneidade, otimismo, força de vontade, determinação, independência e vitalidade.

Elas podem se dar bem com qualquer um, mas suas melhores amizades são com as pessoas do Clã do Pássaro Trovão e com as do Clã da Borboleta. Seu companheiro perfeito é quem traz em si a energia do Corvo, isto é, as pessoas nascidas sob a Lua do Vôo dos Patos. 
 
Quando nós viajamos pela Roda Sagrada, e paramos na Lua das Árvores em Botão encontramos nossas energias renovadas, juntamente com a habilidade para ver e trabalhar claramente com coisas da Terra. Podendo assim descobrirmos dentro de nós um espírito de liderança que nunca soubemos ter.
Fonte: Derval e Victória Gramacho

O Urso – O Avô Guardião do Oeste



“O Caminho a percorrer é para dentro do Ser”

O Urso é um símbolo e um poderoso Totem para quem busca a Medicina da Terra, a cura pelas plantas e ervas para males e doenças. Ele está sentado no Oeste, o Outono, que representa a preparação para a longa hibernação do Inverno.

O longo sono traz os sonhos do Inverno, ou os sonhos do Urso, considerado em muitas tribos como uma poderosa medicina. O conhecimento sobre ervas, plantas, frutos e raízes pode ser transmitido nesta dimensão.

Quando o Urso, o Avô Guardião do Oeste, se apresenta repetidas vezes nos sonhos, ele pode estar querendo revelar um remédio especial. Sua Medicina, aliás, é partilhada indistintamente com todos aqueles que trilham o caminho do respeito à Mãe Terra, daí que às vezes ele aparece, seja em sonhos ou visões pedindo ajuda para todas as criaturas e crianças da Terra.

Como muitos outros animais, o Urso não deseja um confronto com o se humano. Em geral, ele só ataca quando encurralado ou quando sente que sua prole está sendo ameaçada de alguma forma. Como o Lobo, o Urso tem características semelhantes ao homem: é um animal vaidoso e gosta de se olhar na Água, o elemento do Oeste que representa as emoções. A partir daí aquele que se conecta com este Totem de alguma forma está em busca de si mesmo e de sua imagem verdadeira, além das aparências.

Este animal está ligado ao simbolismo da potência dos instintos e a escuridão do inconsciente, relacionando-se com a energia feminina. Sua força e poder estão centrados na sua capacidade de instropecção – o caminho natural para se acessar a sua medicina, ele traz as qualidades da coragem, morte e transformação, despertando o poder do inconsciente.

Seu ciclo de Poder está na Primavera e no Verão. O Grande Avô Urso também possui uma simbologia astrológica, dando nome a constelção da Ursa Maior e da Ursa Menor.

Fonte: Durval Gramacho e Victória Gramacho

Saudação ao Outono!


 
Entrada do Outono: dia 20 de Março às 20 horas e 21minutos

O Tempo de ver seus olhos no espelho

No Outono, na Direção Oeste, está a Água, as emoções e o Urso Negro. Aquele que traz a introspecção, a intenção, a escuridão, o feminino profundo, isto é, o despertar do inconsciente.

O Outono, a Direção Oeste, é um convite a se deixar morrer o que está morrendo, primeiro passo para se alcançar o novo. Nesta jornada o principal guia é o silêncio. Se não o vivenciarmos quando a vida nos convida à reflexão interna, somos invadidos por um turbilhão de opiniões alheias que nos enchem de dúvidas, limitações e rigidez.

Na Roda de Cura, o Urso Negro mora na 10ª pedra, e a pessoa do Povo de Pedra, que representa esta posição é o Rutilado Negro, o professor que nos ajuda a reconhecer a força e o poder pessoal na busca de nossas próprias respostas. Como os Rutilados são caminhos de luz que conduzem à iluminação, esta pedra ajuda a se ter a compreensão e a clareza diante de uma situação que nos põe em xeque.

Os Rutilatos possibilitam que ao megulhar no desconhecido possamos ver no escuro, tendo a noção do caminho que percorremos e, assim, continuar nos movendo.

Fonte: Durval Gramacho e Victória Gramacho

Coiote – A Grande Piada Cósmica


“A descoberta de que demos uma volta para acabar no ponto de partida parece uma grande piada cósmica. Descobrimos que toda a nossa longa jornada é igual às jornadas das outras pessoas que dançaram de forma diferente, e também igual às vidas das pessoas que jamais trilharam qualquer caminho. Eu entendi, finalmente, que a minha viagem nada mais era do que um folhetim ou novela cósmica. Droga! Não há dúvida de que o Coiote consegue inventar lições hilariantes para podermos enxergar nossas danças individuais com uma visão mais ampla, através das lentes equalizadores do spotligth do infinito. Compreender que voltamos ao ponto de partida nos deixa sem saber se rimos ou choramos. Pela minha experiência, ao recomendo chorar de rir!”

Em muitas culturas nativas norte-americanas, o Coiote é chamado de Cachorro-que-Cura. Ele sempre vem para nos ensinar uma boa lição a respeito de nós mesmos. Aquele tipo de lição que nos faz rir para não chorar.

O Coiote possui muitos poderes de cura, mas nem sempre eles funcionam em seu próprio benefício, pois seu espírito trapaceiro às vezes acaba iludindo a si mesmo. Ninguém fica mais surpreso com o resultado de seus próprios truques do que o Coiote, que se torna então capaz de cair na armadilha que ele mesmo criou. Entretando de um jeito ou de outro, ele sempre sobrevive, muito embora seja incapaz de aprender com os próprios erros e logo esteja se encaminhando para um erro ainda maior. Ele pode perder uma batalha, mas nunca se considera derrotado.

O Coiote é um animal sagrado, e, na insensatez de seus atos, vemos o reflexo de nossa própria insensatez. Ao caminhar de um desastre para outro, o Coiote vai aprimorando seus recursos de auto-sabotagem até chegar às raias da perfeição neste campo (eu diria por experiência própria que ele ultrapassa a perfeição). Ninguém pode cegar os outros ou a si mesmo para a realidade com mais graça e facilidade do que este trapaceiro sagrado. Às vezes o Coiote se leva tão a sério que se torna incapaz de ver o óbvio: o trem que está prestes a passar em cima dele. É por isso que ele não acredita quando o desastre ocorre, e nem mesmo depois... Ele é capaz de se perguntar – Foi mesmo um trem que passou em cima de mim? Acho melhor dar mais uma olhada... – e lá vai ele de novo, rumo a um novo desastre!

A figura do Coiote simboliza o humor de todos os tempos, de todos os povos e de todas as eras. O grande humor cósmico se aplica a todos nós. O Coiote é capaz de convencer a todos que um Gambá tem cheiro de rosas. Porém, a verdade é que um Gambá cheira mal e continuará assim, apesar das afirmativas em contrário do Coiote.

Você se acha esperto demais para ser enrolado pelos outros? Pois então tenha a certeza de que o divino trapaceiro pode estar lhe preparando uma cilada na qual você poderá cair. O Coiote executa uma dança louca, incendeia o próprio rabo ao brincar com fogo, atira-se num lago para morrer queimado e quase morre afogado. O Coiote é capaz de seduzir uma estátua de bronze, mas está sempre se metendo numa enrrascada. Ele pensa que achou um osso, festeja ruidosamente, mas, quando vai verificar, descobre que se trata de uma serpente do deserto e que está fazendo papel de bobo diante de todos. Na verdade, o Coiote é você, sou eu, somos todos nós, pulando de trapalhada em trapalhada, de bobeira em bobeira, de enrascada em enrascada em nossas vidas. O show ainda não acabou. Prepare-se para mais gargalhadas – muitas mais...

Tente penetrar imediatamente no âmago de suas experiências e indague a si mesmo por que razão está fazendo as coisas que tem feito. Você está sendo vítima da energia do Coiote e iludindo a si mesmo? Está tentando enganar um adversário? Alguém está tentando lhe passar a perna? Tem feito brincadeiras de mau gosto com os outros? Tem agido irracionalmente só pelo prazer de cometer desatinos e ridicularizar os outros? É capaz de prejudicar os outros só para se divertir?

Por outro lado, pode ser que você ainda não esteja totalmente consciente de que anda se iludindo, nem do papel que está fazendo. Você podee ter incompatibilizado com sua família, seus amigos ou com as pessoas de um modo geral e, ainda assim, continuar achando que sabe o que está fazendo. Mas veja bem, Coiote, a verdade é que você já caiu em sua própria armadilha. Você criou uma maquinação inebriante, desconcertante e perturbadora que acabou confundindo até você mesmo.

Retire os óculos de prestigiador e veja a verdade emergir com clareza novamente por trás da cortina de auto-sabotagem que você estendeu diante de seu rosto. Tenha então senso de humor suficiente para rir de seus próprios erros, truques e desacertos. Ria, pois o riso tem um efeito regenerador.

Caso não seja capaz de rir de você mesmo e de seus disatinos, você perdeu o jogo. O Coiote sempre surge em nossas vidas quando as coisas estão sérias demais. A eficácia da cura do Coiote reside justamente no riso e na brincadeira, capazes de abrir caminho para novos pontos de vista.

Seja capaz de ver o lado positivo das abotagens que você mesmo perpetrou contra si próprio, pois elas podem ter servido para descartar aspectos indesejáveis de sua vida. Divirta-se, contando a alguém pedante e mentiroso que você acaba de retornar de St. Tropez em seu jatinho particular! Saiba rire, e sobretudo, saiba rir de si mesmo!

Fonte: Canção da Meia-Noite (Jamie Sams)

Como a Aranha deu a Teia dos Sonhos para os humanos


“Quando a noite cai, o ar se enche de sonhos...”

Os sonhos desempenhavam um papel fundamental para os índios Ojibwe (ou Chippewa). Para este Povo que vivia na região dos Grandes Lagos Americanos, e que hoje também se espalha por outras regiões do Novo México, aprender a decifrar as mensagens reveladas nos sonhos era a tarefa mais importante que as pessoas tinham durante sua passagem pela Terra.

O Filtro dos Sonhos, como ficou conhecido em português, na verdade não é um filtro, é uma teia. Os Ojibwe acreditavam quem quando a noite cai, o ar se enche de sonhos, bons e ruins. Alguns destes sonhos, mesmo sendo pesadelos, podem conter uma mensagem importante do Grande Espírito para nós. Então, na verdade, estes sonhos são bons sonhos. Mas existe muitos outros sonhos e energias ruins flutuando à nossa volta e que não são nossos. Estes é que podem nos fazer mal. É justamente para separar estes sonhos e energias ruins que existem as Teias dos Sonhos.

A Tradição manda que as teias coloridas sejam penduradas sobre o berço dos bebês e a caminha das crianças. Os sonhos bons, sabendo exatamente aonde devem ir, conseguem passar pelo buraco central da teia, ao passo que os sonhos ruins ficam perdidos e acabam presos nos fios. Quando os primeiros raios de sol surgem, os sonhos maus desaparecem. Os círculos são feitos com ramos flexíveis de salgueiro e revestidos com tiras de couro.

Uma pena é colocada no centro, representando o ar ou a respiração, essencial para a vida. O bebê, observando a pena dançar ao vento, aprende uma lição sobre a importância do ar. Além disto, a pena de coruja, feminina, simboliza a sabedoria. A penas de águia, masculina, serve para dar coragem.

Para captar os sonhos dos adultos, as Teias dos Sonhos são trançadas em fibra e não com ramos de salgueiro, Por isso são mais resistentes. Embora a Teia dos Sonhos tenha começado com os índios Ojibwe, quase todas as tribos de índios americanos há muitos e muitos anos produzem suas próprias Teias dos Sonhos. E sua lendas correm por toda parte.

Existem muitas histórias relacionadas com Aranhas e Melheres-Aranha entre as várias Nações de Índios Americanos. Em muitas destas tradições, por exemplo, a Mulher-Aranha é um personagem fundamental e sábio, ora Mensageira do Sol, ora Avó do próprio Sol e organizadora da vida na Terra. Existem várias lendas relacionadas com as Teias dos Sonhos. Esta que escolhemos é apenas uma das versões.

“Uma aranha fiava sua teia próximo do lugar onde a avó dormia (Nokomi). Todos os dias ela observava a aranha trabalhar. Alguns dias depois, o neto entrou e, ao ver a aranha na teia, pegou uma pedra para matá-la. Mas a avó não deixou. O menino achou estranho, mas respeitou o desejo dela. A velha mulher voltou-se para observar mais uma vez o trabalho da aranha e, então, a aranha falou: “Obrigada por salvar minha vida. Vou dar-lhe um presente por isso. Na próxima Lua Nova vou fiar uma teia na entrada de usa tenda. Quero que você observe com atenção e aprenda como tecer os fios. Porque esta teia vai servir para capturar todos os maus sonhos e as energias ruins. O pequeno furo no centro vai deixar passar os bons sonhos e fazê-los chegarem até você.”

Quando a Lua Nova Chegou, a avó viu a aranha tecer sua teia mágica e, agradecida, não cabia em si de felicidade pelo maravilhoso presente. “Aprenda”, dizia a aranha. Finalmente, exausta, a avó dormiu. Quando os primeiros raios de sol surgiram no céu, ela acordou e viu a teia brilhando como um cristal, graças às gotas de orvalho capturadas nos fios. A brisa trouxe penas de pomba que também ficaram presas na teia, dançando alegremente e, por último, um corvo pousou na teia e deixou uma longa pena pendurada. Por entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria alegremente. E a avó, feliz, ensinou todos da tribo a fazerem as suas próprias Teias dos Sonhos. E até hoje elas vêm afastando os sonhos maus de muita gente.”

Fonte: The Spiritual Network

Ser Um Com A Natureza - O Segredo de Findhorn


Entendemos que nossos Ancestrais Vermelhos em suas Visões sobre o Tempo do Búfalo Branco, da Águia voando junto com o Condor, dos Guerreiros do Arco-Íris, do Quinto Mundo, da Dança Fantasma, nunca nos falaram sobre o fim do planeta Terra, nem da metade da populção deixando o planeta em naves espaciais ou abandonando seus corpos voluntáriamente, nem nada dessas coisas. Eles nos falam em suas profecias, de uma grande mudança na Terra, causada pela ação desatrosa do homem branco e da reencarnação de muitos do nosso povo vermelho, em pele de branco, os Guerreiros do Arco-Íris, pessoas comuns como nós, que viriam trazer uma nova consciência ao planeta, nova, para o homem branco, porque é essa consciência que os índios sempre tiveram, de que estamos todos ligados. Mitakue Oyassin! E que seriam guerreiros, porque trazer esta "nova" consciência à Terra e mudar as coisas, iniciar um novo ciclo, exigiria muita ação e coragem. E que estes guerreiros iriam começar a chegar por volta dos anos de1960 e que iriam vir em número cada vez maior, a partir dos anos 70, até por volta de 2012, momento em que a posição dos astros, iria favorecer imensamente esta expansão da consciência e as ações para conservação da Mãe Terra.

Segue um texto real, com um exemplo dessa "nova" consciência e da transição para uma "nova" Terra.

"O que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra"
Chefe Seattle


Ser Um Com A Natureza - O Segredo de Findhorn

Certo dia Dorothy recebeu a seguinte mensagem: “Uma de suas tarefas consiste em sentir as forças da natureza, como o vento, perceber sua essência e propósito, ser positiva e harmonizar-se com tal essência. Não será tão difícil quanto você imagina, pois os seres das forças vão ficar felizes em sentir uma presença amiga. Todas as forças devem ser sentidas, mesmo a do Sol, da Lua, do mar, das árvores e até da grama. Todas são parte da “Minha Vida”. Tudo é uma única vida.”

“Quando tiverem matado o último animal, pescado o último peixe, cortado a última árvore, o homem branco verá, que dinheiro não se come.”

Mitakue Oyassin

Grande Chefe Sioux Tatanka Lyotake

O Segredo de Findhorn, sua mística, vem do fato de a comunidade ter sido criada e desenvolvida por pessoas que acreditam que na comunicção entre o Homem e a Natureza está Deus. Fonte da vida, Deus é acessível a cada um de nós sempre, através dos tempos, e a Natureza, incluindo o planeta, tem inteligência e é parte de um plano maior. Sem uma doutrina ou credo, a Fundação Findhorn através dos seus membros acredita numa expansão evolucionária da consciência que estaria acontecendo no planeta hoje, criando uma cultura humanista infundida com valores espirituais.

Tudo começou com Peter e Eileen Caddy, mais Dorothy Maclean e três filhos, em 1962, num estacionamento de trailers situado a uma milha da cidadezinha de Findhorn, no nordeste da Escócia. Desempregados e necessitando da terra como provedora, eles trabalharam no hotel local e iniciaram um diálogo interessantíssimo com os espíritos das plantas que queriam que frutificassem no local, árido e seco, varrido por incessantes ventos e cheio de predadores naturais. Findhorn ficou conhecida primeiramente pelo trabalho com as plantas e pela comunicação com os reinos da natureza, hoje os programas que se podem viver na comunidade ajudam a despertar a sintonia com a Natureza e consigo mesmo, através do mesmo Espírito que tornou o trabalho pioneiro possível.

Hoje Findhorn discute o estabelecimento das Eco-Villages, cidades com economia auto-sustentada que representa uma ecologia mais humana. Esse projeto tem a visão de cidades conectadas através de uma rede planetária, com vida espiritual, cultural, econômica e ecologicamente equilibrada. Esse equilíbrio vem dos habitantes, que também estão em harmonia interior. Findhorn se preocupa hoje com o impacto negativo que o homem causou ao planeta, olhando fundo nas causas, nas motivações de tanta inconsciência. Para resolver nossa crise ambiental, precisamos olhar nossa crise social e cultural; precisamos olhar as economias sustentadas e as tecnologias ecológicas. Precisamos olhar para nós mesmos.

Mas afinal, o que tudo isso tem a ver com os anjos?

É que os anjos da Natureza, os Devas, se manifestaram fortemente em Findhorn, a ponto de se tornarem famosos no mundo inteiro. Eles quiseram aparecer, mostrar sua verdade, ensinar como se planta, se cuida e se colhe com uma visão espiritual. Os primeiros habitantes desse lugar experimentaram com ousadia abrir seu coração e silenciar os pensamentos... E aí tudo aconteceu. Doninhas deixavam de perturbar colheitas, ratos davam uma trégua amigável, feijões ensinavam como serem adubados, e durante anos a Natureza falou, através de todos os seus elementos, fossem rios ou cachoeiras, praias ou cerrados, dentro dos corações e mentes desses privilegiados habitantes, ensinado, amorosamente, como gostaria de ser tratada. E os resultados eram tão surpreendentes, tão fantásticos, que logo milhares de pessoas interessadas no mesmo contato começaram a visitar o local. E todos, mas todos, mesmo os céticos voltam transformados. Aprenderam como se conectar, como deixar a Natureza falar dentro de si, e mais importante, aprenderam como ouvi-la.

Findhorn é um vilarejo de pescadores ao norte da Escócia, um lugar frio e ventoso. Contudo, bem aí cresceu um jardim magnífico e suntuoso. Em meio a uma vasta área de areia fria e pedregosa existe um jardim onde crescem plantas nunca vistas antes nessa latitude, seja quanto à sua variedade, seja quanto a seu vigor. Um jardim que assombrou agrônomos e horticultores do mundo inteiro, muitos dos quais não conseguiam explicar o fato dentro dos métodos conhecidos de tratamento de solo, tendo, com o tempo, de aceitar a interpretação pouco ortodoxa da ajuda angelical.

Habituada a ouvir as vozes dos seus guias por muitos anos, Dorothy Maclean começou a ouvir mensagens diferentes, que lhe diziam que devia cultivar o solo. Ora, desempregados, vivendo em trailers, ela e o casal Peter e Eileen Caddy realmente estavam começando a precisar de comida. Com um currículo invejável, não conseguiam emprego algum. Começaram então a entender que deveriam ter confiança e esperar.

Dorothy não viu nenhum deva, apenas sentiu a presença e anotou o que lhe transmitiam. Segundo o que lhe contaram, eles são campos energéticos, a inteligência na base de todas as espécies, a força e a energia que faz com que as coisas cresçam. São encarnações da inteligência criativa, veículos para a expressão da vida em todas os seus níveis. Seu trabalho consiste em promover a evolução. Dorothy também descobriu que todas as espécies da natureza têm seus anjos, e entrou em contato com os das plantas, ficando cada vez mais convencidad da possibilidade de cooperar com eles.

Acima de tudo, a cooperação se deu através de Peter Caddy, que trabalhava na horta e encontrava muitas dificuldades com o solo. Assim, preparou listas de perguntas que Dorothy submeteu aos espíritos da natureza, recebendo suas respostas e instruções. Pouco a pouco, os espíritos da natureza foram ensinando a fertilizar a terra, a plantar, a cuidar de cada variedade de gramíneas, verduras e legumes, nutri-las, colhe-las, e em que época. Como resultado, a horta começou a prosperar e a dar frutos. Os anjos também explicaram que as emanações irradiadas pelo jardineiro contribuem para o crescimento das plantas e que as forças emocionais que cuidam do jardim podem ser um verdadeiro alimento para as sementes. Algumas pessoas estimulam esse crescimento, outras prejudicam, outras chegam a bloqueá-lo. Os jardins são como crianças que precisam de amor e ternura.

Pouco a pouco a horta de fundo de quintal plantada por Peter na areia foi se tornando esplêndida e magnífica – verduras e hortaliças de todos os tipos, ervas, flores, amoras, framboesas e morangos. Mais tarde, plantaram árvores frutíferas que ninguém jamais conseguira cultivar naquelas vizinhanças – pêssegos, cerejas e damascos. Como isso não bastasse, os produtos eram gigantescos – repolhos pesando 20 quilos, alfaces do tamanho de repolhos, brócolis da altura de árvores. De terra devastada, Findhorn se transformou em um magnífico jardim. Tornou-se notícia em pouco tempo, e agrônomos provenientes de todas as Ilhas Britâncias foram visitar o local. Nenhum deles conseguiu explicação natural para uma colheita tão incrível produzida em solo árido e arenoso, sem o uso de pesticidas ou fertilizantes químicos, terminantemente proibidos pelos anjos. Os jornais e rádios começaram a falar no fenômeno Findhorn e por isso, começaram a chegar não apenas agrônomos, mas pessoas do mundo inteiro, e algumas delas ficaram para trabalhar com Dorothy e os Caddy. Surgiu uma pequena comunidade, que foi aumentando com o passar dos anos, transformando-se em uma escola de vida na qual as pessoas aprendem, através do exemplo, a manter um relacionamento com a natureza, com o seu próximo e com o Transcendental.

A meta de Findhorn não é manter as pessoas lá, mas educá-las. Os interessados vêm do mundo inteiro, inclusive do Brasil, observam que é possível viver em termos saudáveis, harmonizando-se com a natureza e com a humanidade, sintonizando-se com a dimensão espiritual, voltando depois para casa transformados, transmitindo a palavra e mostrando por meio do exemplo aquilo que aprenderam: que podemos ser um com a natureza e com todas as coisas.

“O que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra.” Chefe Seattle

Sacola de Talismãs

Símbolos de ligação
Com os Guias da Terra
Magia que cura
E faz renascer
Talentos que honramos
Dons que louvamos
Força e Compaixão
Que guiam nossos Caminhos 

 
A Sacola de Talismãs é uma coleção de diversos objetos que chegaram até alguém das mais variadas maneiras e que representam os Totens de seus animais de Poder ou Guias da Natureza. Dentro de uma Sacola de Talismãs você poderá encontrar alguns objetos tais como sementes, um pedaço de tabaco, uma bolota de seiva ressecada do tronco do pinheiro, um cacho de escalpo, um dente de Alce, crina de cavalo, um cristal de quartzo, uma cauda de lontra, uma Pessoa de Pedra, um colar especial de contas ou qualquer outro objeto que represente alguma Magia especial para o dono da sacola.

Nos tempos antigos muitos destes objetos possuíam algum significado especial para os membros das Tribos e Nações da América Nativa. Por exemplo, entre os indígenas Crow acreditava-se que um dente de Alce traria abundância material ao seu dono. Um pedaço de pano azul significava boa sorte, o pêlo e as garras do Urso ajudariam a manter o Cavalo do Guerreiro em boa forma, e uma asa de Andorinha traria o poder de fugir dos inimigos.

As Sacolas de Talismãs podiam ser utilizadas nas mais diversas situações. Existiam Sacolas para a Cura Pessoal, Sacolas Tribais, Sacolas de Guerreiros, Sacolas da Dança do Sol, Sacolas de Parto, Sacolas de Caça, Sacolas de Sonho e Sacolas de Visão. Algumas eram fabricadas por um Xamã ou uma mulher Xamã, atendendo as necessidades especiais de quem iria usá-las, enquanto outras podiam ser fabricadas até mesmo pelos seus próprios donos. Havia casos em que Sacolas de Talismãs eram repassadas a alguém da família antes da morte de um de seus membros, ou eram entregues a algum membro respeitável da Tribo. Através desta transmissão assegurava-se o uso correto e a boa conservação das Sacolas de Talismãs.

Cada Sacola de Talismãs vinha acompanhada de seu próprio conjunto de regras. Assim, por exemplo, um Nativo poderia possuir uma Sacola de Guerreiro que lhe transmitisse grande força nas batalhas, e os Guias ligados a esta Sacola poderiam tê-lo proibido de comer a carne de um cervo fêmea e pintar o rosto com tinta azul. A delicadeza típica deste animal poderia tolher suas ações na Contagem de Golpes. Já a face pintada de azul poderia atraí-lo para a Estrada Azul do Espírito, provocando uma morte prematura. Cada Sacola possui um objetivo específico, e quase todas possuem regras destinadas a reforçar a Magia dos Guias da Sacola. Ações irrefletidas podem desestabilizar a harmonia estabelecida entre os Guias de Cura e a pessoa que busca assistência. É necessário que haja respeito pelo sentido natural de ordem da sacola. Estas mesmas regras se aplicam a uma sacola bem menor, que a pessoa usa, e que é denominada Bolsa de Talismãs.

Alguns Guerreiros adquiriam modelos de Sacolas de algum membro da Tribo por quem tivessem especial admiração. Porém estes Bravos deveriam receber uma visão pessoal de sua própria Magia, ou ficariam sem receber proteção. Os Guias da Natureza sempre eram invocados, mas por esse ou aquele motivo alguns Guerreiros não recebiam os seus Sonhos de Cura. Eu acho que isto acontecia porque eles haviam perdio contato com o aspecto mais feminino e receptivo de sua própria Energia, já que eram obrigados a se submeterem a provas muito duras para continuar no Clã dos Guerreiros. De qualquer maneira, ser um Guerreiro desprotegido significava morte em idade prematura.

Não se devia jamais mentir sobre as mensagens recebidas do seu Totem de Poder, ou inventar visões para o próprio Caminho, pois isto significava um convite certo para o desastre. Por outro lado, um Bravo que não possuísse a sua Magia Pessoal constituía um problema para toda a Tribo. O problema acabava sendo resolvido pelos sábios Xamãs, pelos Chefes ou pelos Grandes Guerreiros. Eles aceitavam receber cavalos ou outros objetos de valor em troca do modelo de sua própria Sacola de Talismãs. O fabricante da Sacola jamais colocava todos os objetos que representavam sua proteção pessoal, na cópia que fazia para os outros. A razão disto era que entregar toda a sua Magia a outra pessoa colocava o seu próprio espírito em risco. Não se devia revelar a nenhuma outra pessoa todos os itens que compunham uma Sacola de Talismãs Pessoal. Se alguém estivesse tentando prejudicar algum líder poderoso da Tribo, poderia atingir esta pessoa através do conhecimento de sua Vibração Pessoal e do uso de feitiçaria. O roubo de uma Sacola de Talismãs era punido com a pena de morte. De modo geral era proibido tocar em qualquer objeto pessoal de outros membros da Tribo – homens, mulheres ou crianças -, a não ser que se fosse convidado a fazê-lo.

As Sacolas Tribais eram chamadas Avós, e eram as mais antigas e respeitadas, sendo consideradas Wakan (sagradas). A seguir vinham as Sacolas da Dança do Sol e as Sacolas dos Guerreiros. Esta hierarquia do Sagrado refletia a Magia e a Força com que cada Sacola havia protegido a Tribo por longos períodos de tempo. Cada inverno bem-sucedido aumentava a força destas Sacolas Protetoras.

Os padrinhos dos Bravos, pessoas já reconhecidas pelos seus atos de coragem, eram os responsáveis pela fabricação das Sacolas individuais da Dança do Sol. O padrinho colocava alguns Totens nas Sacolas da Dança do Sol, que, em geral, já haviam pertencido a muitas linhagens de Guerreiros Ancestrais. Poerém nenhuma Sacola era considerada mais sagrada do que as Sacolas Tribais. Estas Sacolas Avós ocupavam o posto mais alto na hierarquia porque representavam a Magia mais antiga, experimentada e testada. Elas representavam também a combinação de espíritos de todos os Membros da Tribo – das gerações passadas, presentes e futuras. As Sacolas Tribais eram chamadas Avós porque carregavam em si a Energia alimentadora de que todos os seus filhos necessitam. Assim como acontece com todas as Avós do Planeta, estas Sacolas Avós procuram atender a seus netos da melhor forma possível.

As Sacolas Tribais já passaram por uma longa hierarquia de Guardiães. Houve um momento em que as Sacolas precisaram receber sua própria tenda, e eram colocadas no acampamento como uma proteção para a Tribo. Essas Sacolas Avós costumavam ser protegidas por Chefes muito honrados pelo grupo e que possuíam uma Energia de Cura muito poderosa.

As Sacolas Tribais eram consideradas seres vivos; jamais eram deixadas sozinhas nem ficavam desprotegidas. Hoje em dia as Sacolas Avós estão guardadas em locais secretos e muitas delas são protegidas pelas Avós Anciãs e também por alguns Xamãs. Elas figuram entre objetos mais sagrados do nosso povo e conservam o espírito de todas as Nações Nativas Americanas.

As Sacolas de Talismãs Pessoais podem ser usadas ou carregadas por seu dono. Costuma-se invocar as Sacolas toda vez que é necessário obter força e coragem durante as atividades diárias. Há Bolsas de Talismãs que são amarradas ao redor do pescoço, e que constituem versões reduzidas da Sacola de Talismãs. As Bolsas de Talismã servem como lembrete para quem as usa. Elas recordam ao portador os dons, habilidades e talentos dos Animais de Poder; estas qualidades o ajudarão a caminhar com altivez e em equilíbrio. As Bolsas também são usadas como proteção.

As Sacolas usadas pelas mulheres não são muito comentadas na história escrita por causa dos segredos que devem ser guardados no seio da Fraternidade das Mulheres. O Clã dos Guerreiros sabia que as mulheres possuíam uma natureza mais receptiva devido às suas características femininas. Assim, eles sempre honravam as mulheres por causa do seu conhecimento interior e da intuição que possuíam. As Sacolas de Talismãs femininas podiam ser usadas para aumentar a fertilidade, para ajudar o Guerreiro que acompanhava a mulher, para pesquisar novas técnicas de cura à base de ervas, ajudar no nascimento de uma criança, trazer abundância para sua tenda ou, ainda, para ajudar a manter a felicidade da família. As mulheres sempre possuíam a sua Sabedoria particular, e honravam suas próprias Sociedades. Elas não tinham necessidade de suportar os rigores dos testes de força física para conseguir adquirir mais Visão. As Mulheres são as Mães da Força Criativa do Universo e recebem naturalmente as mensagens dos seus Guias de Cura, o que as ajuda a manter e conservar a força de suas Sacolas da Fraternidade Feminina.

Cada objeto que vem se tornar parte de sua Magia pessoal pode ser colocado num pedaço de pele e embrulhado como você faria com um presente, dobrando todos os quatro cantos da pele para o centro e amarrando a Sacola quatro vezes com cordões de pele curtida de cervo. As Sacolas de Talismãs possuem tamanhos variados, que podem ir de um saquinho tão pequeno que caiba na palma da mão até uma Sacola do tamanho de um bebê recém-nascido. Algumas Sacolas de Talismãs ficam enroladas enquanto outras são dobradas nos pedaços de couro. Também se pode colocar alguns dos objetos menores numa Bolsa de Talismãs e usá-la pendurada à cintura ou colocada em volta do pescoço.

Se quiser confeccionar uma Sacola de Talismãs para alguém em especial, você precisa saber primeiro qual é a espécie de Energia que deseja partilhar com ele. Depois, invoque os Quatro Chefes de Clãs para mandarem um sonho ou uma visão que lhe indique tudo o que deve ser colocado dentro. Esta Sacola de Talismãs pode ser para uma jovem mãe que está com medo de sua primeira gravidez, um rapaz que está entrando para o Serviço Militar, um adolescente que está para escolher uma carreira, um casal recém-casado, alguém que esteja comprando terras e que necessita de um Espírito Guardião que proteja estas terras ou, ainda, alguém enfermo. Qualquer espécie de Sacola constitui um presente dos Níveis Superiores, e só deve ser ofertada a pessoas que saibam honrar a sagrada responsabilidade de possuir uma Sacola de Talismãs.

Se você é um Ancião, talvez queira transmitir a sua Sabedoria a uma pessoa mais jovem, em quem deposite confiança, sabendo que ela irá aceitar a responsabilidade com honra e coragem. A Sacola também pode ser repassada a outra pessoa, se você sente que vai largar o seu Manto (morrer). Quando uma pessoa larga o Manto antes de passar sua Sacola de Talismãs para outra, deve-se queimar a Sacola junto com todoas os outros pertences da Medicina Sagrada da pessoa falecida. Isto é feito para que o espírito não conserve os seus laços de Energia Sutil atados a esta Roda da Vida e possa encaminhar-se livremente em direção à Estrada Azul do Espírito.

Aceitar a Sabedoria que lhe foi transmitida por um Ancião ou por alguma pessoa de muito Poder não é uma tarefa simples. Saber respeitar a vida e os atos de outra pessoa e saber comportar-se de uma forma que deixaria o dono desta Magia orgulho, é uma grande responsabilidade a ser assumida. Se você desonrar a vida deste Ancião ou então a sua Sabedoria, os seus Guias de Cura poderão deixá-lo em maus lençóis. Os Guias consideram que qualquer ato realizado em nossa vida física é sagrado em seu próprio tempo. Os Guias nos ensinam como e quando experienciar em beleza cada um dos nossos atos ao longo do Caminho Sagrado.

Canção da Meia Noite – Professora na Tenda Escolar do Clã do Lobo da Nação Seneca

O Povo em Pé























“Quero que todos saibam que não estou disposto a vender parte alguma de minha terra, nem quero os brancos cortando nossas árvores ao longo dos rios, sobretudo o Carvalho. Tenho uma predileção especial pelos pequenos bosques de Carvalho, gosto de olhar para eles, porque suportam as tempestades de inverno e os calores do verão - e da mesma forma que nós – parecem florescer por causa disso.”

Grande Chefe Sioux Tatanka Lyotake (Sitting Bull)



Olá, Árvore Sagrada da Vida,
Raiz de cada árvore,
Obrigado por me concederes
Os dons que concedes.
Olá, Povo em Pé,
Que me ensinarás
A fincar raízes na Terra,
Enquanto alcanço o Avô Sol.
Olá, Salgueiro, árvore do amor,
Ensina-me a me curvar,
Até formar um círculo perfeito,
Cada parente um amigo.


Os seres do Povo em Pé, as árvores, também são nossos Irmãos e Irmãs. Eles são os Chefes do reino das plantas. O Povo em Pé fornece oxigênio ao resto dos filhos da Terra. Através de seus troncos e de seus galhos, as árvores dão abrigo aos seres que têm asas. Nos vãos de suas raízes as árvores fornecem asilo às pequenas criaturas de quatro patas que vivem embaixo da terra. O material para a construção das casas de seus companheiros humanos constituem outro presente que a Nação Árvore nos oferta.

Os Cherokees ensinam que o Povo em Pé e todos os outros povos do reino das plantas são os seres dadivosos que provêem, o tempo inteiro, às necessidades de outros seres. O Povo de Pedra guarda energia para a Mãe Terra e detém os registros específicos de tudo aquilo que aconteceu num determinado lugar. O Povo de Pedra e o Povo em Pé equilibram-se uns aos outros dando e recebendo, preenchendo as suas necessidades mútuas.

O Povo em Pé percebe as necessidades de todos os Filhos da Terra e se esforça por atendê-las. Cada árvore e planta possui seus próprios dons, talentos e habilidades a serem compartilhados. Por exemplo, algumas árvores nos dão frutos, enquanto outras fornecem curas para distúrbios em nossos níveis emocionais ou físicos. O Pinheiro Branco é a Árvore da Paz, e pode trazer serenidade à vida de uma pessoa que se senta à sua sombra. As florestas tropicais estão cheias de árvores que possuem propriedades curativas ou fornecem substâncias como a borracha que pode ser usada para auxiliar a humanidade na fabricação de vários artigos. O mundo está repleto dos presentes que nos foram concedidos pelo Povo em Pé. Móveis, goma de mascar, rayon, livros, papel, lápis, fósforos, especiarias e temperos, frutas, oleaginosas, cordas, pneus, remédios e casas com telhados de sapê são apenas alguns dos presentes que o Povo em Pé vem generosamente nos concedendo. Porém, cada uma das Pessoas em Pé tem uma lição especial a ser transmitida à humanidade, que vai muito além dos presentes materiais. A Bétula ensina a essência da verdade, nos incita a sermos honestos com nós mesmos ou nos mostra como podemos ser enganados por mentiras alheias. Os Pinheiros são pacificadores. O Pinheiro nos ensina as lições de como estarmos em harmonia com nós mesmos e com os outros, além de nos ensinar a obter uma mente silenciosa. A Sorveira-Brava, ou Cinza da Montanha, nos traz proteção, nos ensina a ver através das mentiras e também nos mostra como proteger o nosso Espaço Sagrado. O Plátamo ensina-nos a alcançar nossos objetivos e a fazer nossos sonhos se realizarem, A Nogueira nos ensina clareza ou concentração através da utilização de nossos dons mentais, e nos ensina a empregar a nossa inteligência de forma adequada. O Carvalho nos ensina a ter força de caráter e manter nossos corpos fortes e sadios. O Salgueiro é a madeira do amor, e nos ensina a dar, a receber, e a saber ceder, qualidades tão necessárias para que o amor frutifique. A Cerejeira nos ensina a abrir o nosso coração e a nos relacionarmos com os outros usando o sentido da compaixão.

A Mimosa é a árvore que representa o nosso lado feminino e revela um coração apaixonado. Aprendi muitas lições com a mimosa enquanto subia em seus galhos quando ainda era criança. Ela me ensinou a beleza que reside em se sentir feminina, enquanto suas doces flores perfumavam meus cabelos. Ela me contou o segredo dos vaga-lumes, e me revelou que eles escondiam estrelas ainda não nascidas em seus rabinhos. A mimosa contou-me que essas estrelas cresceriam dentro de qualquer pessoa de coração aberto. Elas aasumiriam seu lugar entre a Grande Nação das Estrelas depois que tivessem amado e sido amadas na Terra. A mimosa me disse que as dores e as traições que cada coração sofre correspondem a um punhado de água atirada sobre o fogo destas pequenas estrelas, para ver se elas continuariam a crescer, apesar da dor. As pessoas que continuavam a amar, apesar de tudo, se transformariam algum dia em estrelas, e enviariam todo o amor que haviam reunido para todos os outros seres do universo, como uma lembrança do coração aberto do Grande Mistério. A Mimosa me ensinou a abrir o meu coração e a amar, não importando o quanto fosse grande a minha dor, todas as vezes que eu visse minha estrela se iluminando, na forma de um vaga-lume que passasse voando perto de mim.

Os Nativos de todas as partes do mundo têm vivido em harmonia com o reino das plantas, em suas respectivas regiões, e têm utilizado o reino vegetal como ajuda à sua sobrevivência. O povo indígena da Mãe Terra só tem usado aquilo de que necessita, e não armazena, por medo de escassez, as oferendas que as árvores lhes proporcionam. Em nossa Tradição Americana Nativa, recolhemos todas as plantas de maneira cerimonial e sagrada. Em minha Tradição Nativa particular nós nos aproximamos da maior planta da espécie que vamos colher, lhe oferecemos tabaco e pedimos permissão para colheita. Essa é a Planta ou Árvore Chefe daquela espécie, por ser a maior e a mais velha. Assim que recebemos uma indicação ou uma mensagem de que está tudo certo, pulamos as primeiras sete plantas ou árvores que poderíamos colher para que as próximas sete gerações de seres humanos possam estar bem providas. Honrando nossos filhos, e os filhos de nossos filhos, garantimos um futuro feliz para todas as Criaturas assim como para o reino das plantas.

Se recebemos um não ao pedirmos permissão à Planta Chefe, vamos para outra região de coleta e começamos tudo outra vez. Se estivermos recolhendo pinhas, por exemploo, pegamos apenas um pouco de cada árvore, para que nossos Irmãos e Irmãs do reino das Criaturas também fiquem bem providos. E como sabemos quando já acabamos de colher o suficiente de determinada planta? Isto é fácil de saber quando nos colocamos em sintonia com os nossos Irmãos e Irmãs Verdes. A planta não solta mais seu fruto, erva ou pinha, quando já recolhemos o bastante. Ela enrijecerá os seus galhos e se recusará a liberar os seus frutos. É assim que os seres das plantas dizem: “Você já pegou o bastante, vá embora.”

Os Senecas dizem que toda árvore tem mais raízes do que galhos. Este ensinamento nos fala de como cada Pessoa em Pé está ligada profundamente à Mãe Terra. À semelhança do Povo em Pé, nós, os seres Duas Pernas, temos uma espinha que lembra um tronco, braços que parecem galhos, e cabelos que lembram folhas. Crescemos em direção à luz, da mesma forma que os galhos da árvore esticam-se em direção ao Avô Sol. Recebemos compreesão através de nossas antenas – os nossos cabelos – assim como as árvores recebem a luz através de suas folhas. Cada ser humano possui um corpo diferente do outro. O mesmo se dá com o Povo em Pé; não existem dois seres iguais. Caminhamos sobre duas pernas e vemos muitas coisas, ao passo que nossas irmãs árvores ficam fixas em um só lugar e recebem alimentação da Mãe Terra constantemente, para que possam repassar aos outros tudo aquilo que recolhem. Nós, os Duas Pernas, também estamos sempre dando e recebendo quando estamos Caminhando em Equilíbrio. Em minha Tradição ensinam-nos que a humanidade forma a ponte entre a Mãe Terra e a Nação do Céu, e que nós, assim como o Povo em Pé, pertencemos a estes dois mundos. Para conseguir este equilíbrio, devemos viver em harmonia com Todos os Nossos Parentes, estar bem enraizados neste mundo através de nossa Mãe Terra e permitir que os nossos espíritos voem livres pelos outros mundos, fundindo-se com estas outras realidades. Se não estivermos bem enraizados em nosso mundo físico, não conseguiremos entender totalmente o propósito de nossas visões, sonhos, potenciais, ou, ainda, descobrir as verdades que nos são reveladas durante o sono.

No momento em que conseguimos retribuir a gratidão pelos presentes que recebemos dos outros, passamos a reconhecer a raiz de cada bênção. A raiz de qualquer coisa constiui a sua fonte original. Toda vez que retribuímos nossa gratidão à fonte de nossas bênçãos, voltamos a equilibrar o nosso mundo e a reconhecer todas as dádivas que recebemos. Devemos recordar também que os Ancestrais que Cavalgaram o Vento antes de nós tornaram-se parte de nossas raízes e que estamos aqui para honrar o valor de seus presentes e de suas vidas, buscando viver de forma equilibrada. A raiz de todas as civilizações que estão por vir já vive neste momento dentro de cada um de nós. Nutrir o futuro equivale a honrar as sementes do presente, permitindo que elas cresçam e se desenvolvam. O Povo em Pé nos inspira como Guardiãs de nossa Mãe Terra a olhar a raiz de cada bênção para o Bem, de tal forma que a sua dádiva não tenha sido ofertada em vão.

O Povo em Pé nos fala de raízes e de doação. Devemos nos reabastecer sempre, através de nossa ligação com a Mãe Terra, para podermos doar livremente, sem nos exaurimos. A raiz do Ser está ali onde está a força. Esta raiz deve estar plantada firmemente no solo de nossa Mãe Planeta. Sem esta conexão os sonhos não poderão se manifestar, e os nossos atos de doação não poderão ser recompensados pela Mãe Terra. Caso você esteja “viajando” pelo espaço afora, para um pouco e reconete-se com a Mãe Terra. Silencie e torne-se Uno com as árvores para poder observar melhor tudo aquilo que está crescendo neste momento em sua floresta interna. As raízes de todas as respostas para a vida física podem ser descobertas aqui mesmo na Terra. Estude a sua árvore genealógica e busque a força oferecida pelos seus Ancestrais. Ao erguer bem alto os seus galhos, buscando a luz do Avô Sol, verá comos as suas raízes continuam a prendê-lo na Terra. Assim, será construído uma ponte equilibrada para o Mundo dos Céus.

O Povo em Pé nos pede que nos doemos mais. Pergunte a você mesmo se está realmente disposto a dar e receber. Observe a raiz de cada bênção com prufunda gratidão. Perceba qualquer bloqueio que esteja prejudicando o seu processo de enraizamento ou a sua capacidade de mergulhar mais fundo nas coisas. A seguir remova esta sensação limitadora e passe a mergulhar mais fundo até obter as respostas que procura. Lembre-se de que nós também somos raiz do futuro e de que é através de nossas vidas que as futuras gerações serão alimentadas. Afaste-se de tudo aquilo que possa inibir o seu crescimento. Desde modo você poderá erguer a cabeça, orgulhoso, toda vez que estiver no meio de seus parentes Árvores.

Jamie Sams